Páginas


Pároco Frei Alfredo Francisco de Souza, SIA.


santaluzia@hotmail.com.br

Fone (14) 3239-3045


domingo, 17 de agosto de 2014

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

O CÉU - NOSSA META, FUTURO E CASA

 A Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, celebrada no Brasil neste domingo, substituindo a liturgia do Vigésimo Domingo de Tempo comum, nos convida a refletir e a concluir que, como Maria, cada um de nós é peregrino neste mundo e não meros “passageiros” ou “turistas”!
Mas como compreender a Assunção de Maria? O próprio Jesus já havia dito um dia aos Seus discípulos: “alegrai-vos, porque os vossos nomes estão escritos nos céus”!? (Lc 10,20). A celebração da Assunção de Nossa Senhora coloca ou recoloca cada um de nós também neste caminho como peregrinos, de uma maneira toda nova. Recorda-nos também que a nossa história, conduzida pelo amor de Deus, não é “escrita” em episódios sem sentido, que nos jogam de um lado para o outro, mas que, pelo contrário, nos lança na direção de uma meta e de um futuro!
            O Apocalipse parece falar a linguagem misteriosa do fim do mundo mas, na realidade, os seus símbolos são tão fortes que tem o poder de atravessar toda a história da humanidade.
            Hoje, por exemplo, na primeira leitura (Ap 11,19a;12,1.3-6ab) temos, de um lado, a figura monstruosa e assustadora do dragão cor de fogo, que representa a força do mal que age na história. Do outro lado, encontramos uma mulher que vive na agonia e nas dores do parto, vestida de sol, com uma coroa de doze estrelas e a lua debaixo de seus pés.
            Esta mulher é figura da Igreja, envolvida com o "sol", isto é, a luz do Espírito Santo, da ressurreição de Jesus, e tem uma coroa de doze estrelas, simbolizando as doze tribos de Israel e os doze apóstolos. A lua debaixo de seus pés representa o tempo em que a Igreja reina soberana, como realidade que goza do Reino inaugurado com a ressurreição de Jesus. Ao mesmo tempo, a Igreja vive na História e, portanto, sofre as dores de parto, a dor do nascimento dos filhos de Deus.
            A criança, salva da tentativa de assassinato do dragão, figura a descendência dos filhos de Deus, junto com o Filho por excelência, o Messias, Jesus Cristo.
            Os símbolos apocalípticos contrapõem o humilde poder de Deus, que se manifesta na geração e na fecundidade, com o soberbo poder do mal, que se manifesta de forma grotesca e monstruosa.
            No fim, a vitória é do poder da humildade de Deus, do mistério da fecundidade, escrito desde as páginas da criação do mundo, como palavra que se cumpre e que plenamente se manifesta na vida da Igreja.
            Feliz aquela que acreditou no cumprimento da Palavra de Deus, afirma Isabel a Maria, no Evangelho de hoje (Lc 1,39-56).
            A fecundidade da Igreja é antecipada pela fecundidade de Maria, não só física, mas também espiritual. Ela é mãe não só porque gerou um filho, do ponto de vista biológico, mas também porque acreditou no poder da Palavra de Deus na sua vida.
            Daí, toda a nossa vida também pode ser também, portanto, caracterizada por esta medida de grande fecundidade. Então, na família, nas relações de trabalho e na comunhão eclesial, seremos fecundos na medida em que permitirmos que a Palavra de Deus tome posse de nós, modifique a nossa mentalidade, corrija as nossas atitudes de julgamento no confronto com as pessoas com as quais convivemos e encontramos no caminho da nossa história.                         Tanto mais fecundos seremos quanto nos desfizermos das tentações de posse, de inveja, de egoísmo, de apego e de fechamento em nós mesmos, para aderir à realidade e à possibilidade do bem e do amor ocultos na realidade que nos cerca.
            Deus, às vezes, mantém "oculto" de nós, quanto bem, quanto amor existe e está presente na realidade à nossa volta. Na verdade, o que Deus deseja é que O busquemos, que nos coloquemos na Sua dinâmica, saindo de nós mesmos para ir ao encontro dos outros, e do Outro nos outros.
            Este encontro é, por si só, fecundo! O cerne deste percurso de fecundidade é a Assunção de Maria, como transformação e geração, que caminha para o seu futuro, para o Céu.
            É do Céu que Maria nos atrai ao Seu Filho, pelo poder do Espírito Santo. É do céu que Maria contribui conosco e nos regenera como filhos e filhas de Deus. É justamente pelo Seu papel especial na história da salvação que podemos invocá-la, amá-la e rezar com ela e nela, sem nenhum medo.
            Não raro se ouve dizer que as orações marianas, principalmente o rosário ou o terço, é uma oração inútil e repetitiva. Mas quando dizemos a uma pessoa que a amamos, não dizemos uma única vez e basta, mas pelo contrário, repetimos muitas vezes!
            Maria nos conduz a Jesus. Através de Suas mãos podemos nos oferecer a Ele, conscientes de que o Seu coração de mãe é solidário com os nossos sofrimentos e dores e, ao mesmo tempo, nos coloca em profunda comunicação com o coração de Cristo, fonte do Espírito Santo.
Peçamos ao Senhor a graça que esta festa da Assunção, além de revelar a esperança do nosso futuro e do mundo, nos dê a coragem de deixar a Ele, cada vez mais, a possibilidade de assumir dentro do Seu Amor a minha e a sua vida, exatamente como fez com Maria, que "ficou três meses com Isabel; depois voltou "para casa"! (Frei Alfredo Francisco de Souza, SIA – Missionário Inaciano – www.inacianos.org.br- alfredosouza@me.com).