Páginas


Pároco Frei Alfredo Francisco de Souza, SIA.


santaluzia@hotmail.com.br

Fone (14) 3239-3045


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

sábado, 6 de dezembro de 2014

"PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR"

(Liturgia do Segundo Domingo do Advento)

Estamos no Segundo Domingo do Advento. A Palavra de Deus proclamada na liturgia de hoje proclama, no mesmo tom de voz profética de João Batista, que o anúncio da Boa Nova é o anúncio da vinda do Salvador.
            No Evangelho, porém, Marcos (1,1-8) não se limita a anunciar um evento extraordinário como este, mas ao citar o Antigo Testamento, exortando-nos a escutar a profecia de Isaías, nos estimula e convoca a preparar-nos interiormente para receber o Senhor que, ainda nos concede uma ajuda: "Eis que envio o meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. Este caminho é marcado por "um batismo de penitência pela remissão dos pecados".
            O batismo de João, no entanto, é apenas um sinal, pois João batiza com água, enquanto o Salvador "vos batizará com o Espírito Santo".
            O anúncio é, portanto, para uma renovação completa do homem que, ao acolhê-lo, se lembre que é preciso deixar de percorrer velhos caminhos, abandonar velhos hábitos e velhas práticas. Isto é, precisa se converter!
            "Preparai os caminhos do Senhor...endireitai as Suas veredas". Aqui, aplainar, endireitar, denotam um recolocar-se sob a vontade do Pai. Trata-se de evitar as próprias presunções.
            Ao mesmo tempo, evidencia uma paz interior de onde deriva o só querer seguir e fazer a vontade de Deus, na certeza de que  só os ensinamentos de Deus podem saciar plenamente o coração do homem.
            Por isso, "toda a região da Judéia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro". Há uma consolação no pedido de penitência e de conversão do qual o coração humano sente necessidade.  É um convite, como Isaías diz, "falando ao coração de Jerusalém", e torna possível que tudo que seja "acidentado, torto ou irregular, errado ou ruim, torne-se plano, reto e bom: Consolai o meu povo, consolai-o!  diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida", diz o profeta Isaías na primeira leitura (40,1-5.9-11).
            Daí o convite a proclamar o Senhor, sem hesitação: "Dizei em alta voz ... (...) erga a voz, não tema"! Este convite é para cada cristão. O Salvador, como um Pastor, vem para cuidar do Seu rebanho. Vem e nós estamos em confiante expectativa. Já veio uma primeira vez na gruta de Belém e voltará. É o que nos lembra Pedro na segunda leitura de hoje que, primeiro chama a nossa atenção lembrando-nos que a Palavra de Deus não é uma palavra vã. "O Senhor não tarda a cumprir sua promessa, como pensam alguns, achando que demora".
            Depois, nos convida a ter presente que as promessas dizem respeito ao tempo de Deus: "para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia". A concepção do tempo de Deus aqui é sinônimo também da Sua paciência,"Pois não deseja que alguém se perca. Ao contrário, quer que todos se convertam".
            Contudo, além deste Advento litúrgico, há também um advento final, escatológico, que virá de repente, como os tempos do Senhor. Virá como "um ladrão", de repente.
            "A terra será consumida com tudo o que nela se fez". Isto é, aquilo sobre o qual o mundo terreno se estabelece, terá o seu final, pois "todas essas coisas se dissolverão".
            Nesta espera, exorta Pedro, "esforçai-vos para que Ele vos encontre numa vida pura e sem mancha e em paz", não nos perturbemos e nem soframos por coisas desnecessárias. O que, realmente, esperamos, são novos céus e nova terra!
            Segundo Pedro, é preciso ter em mente que não se trata de um mero sonho, uma fábula. É por isso que nos chama à necessidade da conversão.
            "O Senhor está usando de paciência para convosco"! Eis o motivo de suas demoras. Exorta-nos enfim à conversão, porque as obras do mal não se "enquadram" em Seu plano de salvação.
            É preciso, portanto, optar! Daí o convite para a santidade e piedade, que deve ser a marca registrada da nossa espera, do nosso advento. Frei Alfredo Francisco de Souza, SIA - Missionário Inaciano. www.inacianos.org.br / alfredodesouza1966@me.com.

sábado, 29 de novembro de 2014

"AH, SE ROMPESSES OS CÉUS E DESCESSES"!

(Liturgia do Primeiro Domingo do Advento)

A Igreja é a casa de Deus, onde vive uma grande família. É uma casa grande, porque somos muitos, de todos os povos, tribos e línguas (Ap 7.9). Como toda grande casa, deve ser bem organizada para que tudo corra bem e de maneira eficiente.  Nesta casa o trabalho deve ser conjunto, e com um único objetivo: manter a casa arrumada e bem preparada para a chegada daquele que é o Senhor da casa. Este é o objetivo final, ao qual estão sujeitas todas as pequenas metas intermediárias: preparar-se para a Sua vinda, sem saber nada sobre o tempo e o momento em que virá. (At 1,7).
Certo é que todos nós sentimos um vazio que a vida – inclusive a vida mais confortável - não pode satisfazer.  Todos trazemos dentro de nós, a falta de algo melhor, a falta, por que não dizer, de alguém ?
            Não raro, o tédio atinge a todos, haja vista que nossa vida, de modo geral, é repetitiva. Principalmente são repetitivas as palavras que ouvimos e dizemos todos os dias.
             Acontece que, diante dessa monotonia quotidiana, nos entediamos, sentindo-nos estranhos...distantes. Ao mesmo tempo, estamos sempre à espera de uma novidade qualquer, ou de um evento extraordinário, que nos tire do tédio, trazendo-nos alegria e esperança.
            Diante da rotina entediante, estamos  em busca de algo novo e bom. Como disse, por que não dizer, de "alguém"?
            Essa expectativa se dá em relação ao lugar em que nos encontramos, às obras nas quais estamos envolvidos e, geralmente, também na relação com as pessoas à nossa volta.
            Assim, temos a sensação de que nossa vida parece, às vezes, um vagar inútil, uma perda de tempo, um contínuo dormir e acordar, e nada mais.
            Por um lado, nos lamentamos facilmente do tempo que foge de nós sem que percebamos. Por outro, parece que somos incapazes de dar sentido e plenitude ao tempo que temos ao nosso dispor. Mas mesmo nesse sentimento de tédio, nasce a invocação que caracteriza o Advento. Trata-se da invocação proclamada na primeira leitura do profeta Isaías, neste primeiro domingo do Advento (Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7): "Ah! se rompesses os céus e descesses"! 
            Como seria bom se acontecesse alguma coisa nova, de fato, em nossa vida! Se, finalmente, Alguém rompesse a monotonia dos dias que passam, se o "sono" que o tédio provoca em nós fosse definitivamente banido de nossa vida!
            Como seria bom se o tempo recuperasse o sentido e a plenitude, se reencontrássemos a beleza, a criatividade e serenidade. Que bonito seria se redescobríssemos os outros como irmãos com quem temos tanto a aprender. Se o amor entre os casais fosse todos os dias revigorado e despertado com pequenos e simples gestos.
            Como seria maravilhoso se não fosse necessário acontecer perdas e tragédias para que familiares se reencontrassem! Como seria bom se "Tu rompesses os céus e descesses"!  Este é o clamor do Advento. Clamor muito mais forte do que a rotina diária e que na pessoa de Jesus, o Esperado, se torna promessa.
            No Evangelho de Marcos (Mc 13, 33-37) lemos hoje "Ficai atentos, vigiai!", porque não sabeis quando será o momento exato. Significa dizer, é certo que os céus se abrirão, e com certeza o tédio será vencido, porque Deus é fiel  à Sua promessa!
            Contudo, "ficai atentos"! Fiquemos atentos para que isso não aconteça ao sabor do improviso e nos "pegue' de surpresa, encontrando-nos "dormindo", incapazes de acolher a novidade que tanto invocamos.     Fiquemos atentos! Vigiemos, porque não sabemos quando será o momento!
            Fiquemos, portanto, atentos, porque o momento, o tempo esperado no qual  Deus rompe os Céus e vem ao nosso encontro pode ser amanhã, já. Isto é, amanhã podemos descobrir a bênção de Deus sobre a nossa vida, arrancando-nos da monotonia entediante, da mesmice e do desânimo.
            É claro que nossos dias podem parecer angustiantes ainda, assim como a tentação do tédio pode tomar conta de nós. Contudo, tais pensamentos não deverão nos surpreender ou nos derrotar, pois todas as situações terrenas são envolvidas nessa angústia.
            Mas, se apesar dessas situações, soubermos enxergar a presença de Deus que esperamos e que rompe os nossos "céus" fechados", então nada mais poderá nos oprimir.
            .   Eis a graça e a beleza deste tempo de Advento: a espera por uma criança que vem para levar-nos pela mão, para preparar-nos, de ano em ano, naquela expectativa solene que verá o retorno do Senhor da Casa na sua gloriosa majestade. Frei Alfredo Francisco de Souza, SIA - (Missionário Inaciano).